31.5.10

Pessoa + outra pessoa

Frase de uma psicóloga amiga: “No consultório a gente acessa o backstage da vida das pessoas”. E esta me fez lembrar de outra, de um tio psicanalista, quando eu perguntei como ele sabia sobre certo assunto tão alheio ao seu próprio cotidiano: “Ah, meu consultório é uma janela para o mundo”. É fascinante perceber quantas vidas únicas, interessantes justamente por serem únicas, podemos conhecer e desenvolver (juntos) quando trabalhamos com psicoterapia...

19.5.10

Pensamento vapt-vupt sobre a beleza

De Stendhal: “O belo é a promessa de felicidade”. Ou seja, nossa apreciação estética pode despertar sentimentos diversos, ou mesmo valores e virtudes que julgamos serem essenciais à vida feliz, tais como simplicidade, amor, gentileza, firmeza de propósito, etc. Mas talvez não seja tão simples assim, como tudo que alude ao ser humano e sua dimensão psíquica... pois ele continua: “Existem tantos estilos de beleza quanto visões de felicidade”. Sem comparações, apenas diferenças e gostos pessoais.

14.5.10

Comparando e comprando...

Um artigo publicado no Journal of Personality and Social Psychology, elaborado por psicólogos da Cornell University, em Nova York, afirma que as pessoas geralmente são mais felizes "comprando" experiências agradáveis do que consumindo bens materiais. Isso se deve primariamente à unicidade da experiência vivida pelo indivíduo, o que torna mais difícil compará-la com as experiências dos pares.

"Imagine que você compra uma TV de tela plana, e está feliz com ela. Mas aí você vem à minha casa e eu tenho uma TV com uma imagem maior e melhor. Isso vai decepcionar e chatear você", explicou Thomas Gilovich, um dos autores do estudo. "Mas se você for de férias para o Caribe e eu também, você tem as suas memórias - sua conexão única com o Caribe - que ninguém mais tem e que fez as suas férias especiais", afirma.

Apesar das duas formas de usar o dinheiro impliquem em diferentes graus de comparação, penso que talvez a comparação que acontece entre bens materiais seja praticamente intrínseca a este ato, tão determinante quanto a suposta necessidade de obter tal bem para este ou aquele propósito. Comprar seria também uma tentativa, mais ou menos clara ao indivíduo, de se manter num status relativamente confortável num meio social onde as aquisições materiais, profissionais e outras são avaliadas como indicadores de sucesso e valorização da pessoa como um todo (se é que podemos falar em todo), pois tal sucesso decorreria de características de personalidade "bem expressadas" no meio. Enfim, uma meritocracia, que tanto empodera o indivíduo para realizar-se plenamente, como pode esmagá-lo ao atribuir somente a ele seu próprio fracasso. A "rat-race".

11.5.10

III Simpósio de Atualização em Psicofarmacologia

III Simpósio de Atualização em Psicofarmacologia do Grupo de Interconsultas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP

Data: 15 de maio de 2010
Local: Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP
Horário: 08:00hs - 18:00hs
Maiores Informações: (11) 3069-7804

5.5.10

Quem precisa de terapia?

O Programa Login transmitido pela Tv Cultura apresentou na última quinta-feira, dia 29/04/2010 uma discussão com o psicanalista Dr. Oswaldo Ferreira Leite Netto e o psicólogo Dr. Gustavo Veiga.
A maioria das pessoas tem essa dúvida: Quem precisa de terapia? ou Quando devo ir buscar ajuda de um psicólogo? Quanto tempo dura uma terapia? Essas e outras questões referentes a terapia são discutidas neste programa. O psicanalista demonstra de forma clara, quando cabe a terapia, enfantizando que as emoções são inerentes ao ser humano, e por isso quando existe dificuldade nesta área é necessário buscar ajuda.
Além disso, a discussão reforça a importância da responsabilidade de cada individuo, principalmente em relação a terapia, ou seja, alguém só procura a terapia porque já parou para pensar nas suas dificuldades, angústias, e então, se responsabilizou por aquilo que é dela, assim cabe a pergunta: Qual a sua responsabilidade naquilo de que você se queixa?

Vale a pena assistir na integra no link abaixo: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-29/25778

4.5.10

Harder, faster, better, stronger

Sei que é assunto batido e repetido em muitas rodas de conversa, mas está cada vez mais difícil (ou mais livremente censurável) ter atitudes ou comportamentos prazerosos que não sejam saudáveis ou produtivos materialmente. Não pretendo entrar no mérito da nocividade dos comportamentos - porque isso seria politicamente correto e não se trata da intenção aqui - e é importante diferenciarmos a ampliação do conhecimento sobre a vida do posterior uso que a sociedade faz destes mesmos conhecimentos. Às vezes parece que fumar um cigarro, não desejar ardentemente bater a cota de vendas do mês, não malhar, comer McDonald´s com sorvete de lambuja, tomar sol sem protetor, etc, têm se tornado verdadeiros pecados sujeitos à queima no mármore do inferno social. O real tem perdido lugar para o ideal, enquanto as vivências de prazer e espontaneidade são logo submetidas à categorização restritiva e utilitária. Parece que a gente agora é como máquina: tem que ser melhor, mais rápido, mais saudável, mais bem-sucedido, mais magro... e o mais feliz, será que vem junto?